Luís Vaz de Camões - Soneto 91 - Fermosos Olhos que na Idade Nossa





Luís Vaz de Camões - Soneto 91 - Fermosos Olhos que na Idade Nossa


Formosos olhos, que na idade nossa

Mostrais do Ceo certissimos signais,

Se quereis conhecer quanto possais,

Olhai-me a mim, que sou feitura vossa.


Vereis que do viver me desapossa

Aquelle riso com que a vida dais:

Vereis como de Amor não quero mais,

Por mais que o tempo corra, o damno possa.


E se ver-vos nesta alma, emfim, quizerdes,

Como em hum claro espelho, alli vereis

Tambem a vossa angelica e serena.


Mas eu cuido que, só por me não verdes,

Ver-vos em mim, Senhora, não quereis:

Tanto gôsto levais de minha pena!




 Luís Vaz de Camões - Soneto 91 - Fermosos Olhos que na Idade Nossa