João da Cruz e Sousa - Broquéis - 12 - Sonho Branco





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 12 - Sonho Branco


De linho e rosas brancas vais vestido,

Sonho virgem que cantas no meu peito!...

És do Luar o claro deus eleito,

Das estrelas puríssimas nascido.


Por caminho aromal, enflorescido,

Alvo, sereno, límpido, direito,

Segues radiante, no esplendor perfeito,

No perfeito esplendor indefinido...


As aves sonorizam-te o caminho...

E as vestes frescas, do mais puro linho

E as rosas brancas dão-te um ar nevado...


No entanto, Ó Sonho branco de quermesse!

Nessa alegria em que tu vais, parece

Que vais infantilmente amortalhado!



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 12 - Sonho Branco