Luís Vaz de Camões - Soneto 16 - Se as Penas Com Que Amor Tao Mal me Trata





Luís Vaz de Camões - Soneto 16 - Se as Penas Com Que Amor Tao Mal me Trata


Se as penas com que Amor tão mal me trata

Permittirem que eu tanto viva dellas,

Que veja escuro o lume das estrellas,

Em cuja vista o meu se accende e mata;


E se o tempo, que tudo desbarata,

Seccar as frescas rosas, sem colhellas,

Deixando a linda côr das tranças bellas

Mudada de ouro fino em fina prata;


Tambem, Senhora, então vereis mudado

O pensamento e a aspereza vossa,

Quando não sirva ja sua mudança.


Ver-vos-heis suspirar por o passado,

Em tempo quando executar-se possa

No vosso arrepender minha vingança.




 Luís Vaz de Camões - Soneto 16 - Se as Penas Com Que Amor Tao Mal me Trata