João da Cruz e Sousa - Broquéis - 37 - Regenerada





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 37 - Regenerada


De mãos postas, à luz de frouxos círios

Rezas para as Estrelas do Infinito,

Para os Azuis dos siderais Empíreos

Das Orações o doloroso rito.


Todos os mais recônditos martírios,

As angústias mortais, teu lábio aflito

Soluça, em preces de luar e lírios,

Num trêmulo de frases inaudito.


Olhos, braços e lábios, mãos e seios,

Presos, d'estranhos, místicos enleios,

Já nas Mágoas estão divinizados.


Mas no teu vulto ideal e penitente

Parece haver todo o calor veemente

Da febre antiga de gentis Pecados.



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 37 - Regenerada