Luís Vaz de Camões - Soneto 143 - Sempre, Cruel Senhora, Receei





Luís Vaz de Camões - Soneto 143 - Sempre, Cruel Senhora, Receei


Sempre, cruel Senhora, receei,

Medindo vossa grã desconfiança,

Que desse em desamor vossa tardança,

E que me perdesse eu, pois vos amei.


Perca-se, enfim, já tudo o que esperei,

Pois noutro amor já tendes esperança.

Tão patente será vossa mudança,

Quanto eu encobri sempre o que vos dei.


Dei-vos a alma, a vida e o sentido;

De tudo o que em mim há vos fiz senhora.

Prometeis, e negais o mesmo Amor.


Agora tal estou, que de perdido,

Não sei por onde vou, mas alguma hora

Vos dará tal lembrança grande dor.




 Luís Vaz de Camões - Soneto 143 - Sempre, Cruel Senhora, Receei