João da Cruz e Sousa - Broquéis - 27 - Visão da Morte





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 27 - Visão da Morte


Olhos voltados para mim e abertos

Os braços brancos, os nervosos braços,

Vens d'espaços estranhos, dos espaços

Infinitos, intérminos, desertos...


Do teu perfil os tímidos, incertos

Traços indefinidos, vagos traços

Deixam, da luz nos ouros e nos aços,

Outra luz de que os céus ficam cobertos.


Deixam nos céus uma outra luz mortuária,

Uma outra luz de lívidos martírios,

De agonies, de mágoa funerária...


E causas febre e horror, frio, delírios,

Ó Noiva do Sepulcro, solitária,

Branca e sinistra no clarão dos círios!



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 27 - Visão da Morte