João da Cruz e Sousa - Broquéis - 07 - Monja





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 07 - Monja


Ó Lua, Lua triste, amargurada,

Fantasma de brancuras vaporosas,

A tua nívea luz ciliciada

Faz murchecer e congelar as rosas.


Nas flóridas searas ondulosas,

Cuja folhagem brilha fosforeada,

Passam sombras angélicas, nivosas,

Lua, Monja da cela constelada.


Filtros dormentes dão aos lagos quietos,

Ao mar, ao campo, os sonhos mais secretos,

Que vão pelo ar, noctâmbulos, pairando...


Então, ó Monja branca dos espaços,

Parece que abres para mim os braços,

Fria, de joelhos, trêmula, rezando...



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 07 - Monja